
Confira a programação:
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A Confraria dos Atores pretende dilacerar Rubem Fonseca e expor a maneira ora engraçada, ora trágica que ele escreve, abordando de maneira crua e urbana o cotidiano. E ainda levar a platéia a entrar na mente dessas personagens solitárias, apaixonadas, vingativas, violentas e frustradas que povoam o universo complexo e envolvente desse autor. A abordagem rasgada do comportamento ambíguo e perturbador do ser humano, presente nas tramas de Rubem Fonseca, vêm ao encontro do trabalho que a Confraria dos Atores pesquisa e desenvolve, contribuindo para o processo de criação do nosso teatro.
O sonho da cooperativa está cada vez mais próximo. A Cooperativa de Comunicação Cultura e Arte é uma idealização de vários coletivos que juntos desenharam e planejaram trabalhar mais coletivamente ainda. A cooperativa vem para preencher uma lacuna no trabalho artistico do estado: a legalização das empresas culturais. Mais do que a viabilidade de ter um CNPJ, a COCCAR vai ser um grande fórum de debates e formação políticos-culturais. Ao integrar tantos coletivos assim terá uma grande força representativa e poderá ser uma grande força para cobrar de instituições públicas ações e políticas culturais dignas.
Cooperativa é uma associação autônoma de pessoas que se unem, voluntariamente, para satisfazer aspirações e necessidades econômicas, sociais e culturais comuns, por meio de um empreendimento de propriedade coletiva e democraticamente gerido. Basicamente o que se procura ao organizar uma Cooperativa é melhorar a situação econômica de determinado grupo de indivíduos, solucionando problemas ou satisfazendo necessidades comuns, que excedam a capacidade de cada indivíduo satisfazer isoladamente. A Cooperativa é então, um meio para que um determinado grupo de indivíduos atinja objetivos específicos, através de um acordo voluntário para cooperação recíproca.
(entenda mais sobre cooperativas em: Cooperativas)
Então, todos a pré-assembléia.
Dia: 26/01/08 (sábado)
Horário: 17h
Local: MISC - Museu da Imagem e do Som
Endereço: Rua Voluntários da Pátria, 75 – Centro
Dúvidas? (65) 8407-1184
'Um corpo destreinado é como instrumento desafinado, em cuja caixa de ressonância há uma barulheira confusa e dissonante de ruídos inúteis, impedindo a audição da verdadeira melodia. Quando o instrumento do ator, seu corpo, é afinado pelos exercícios, desaparecem as tensões e os hábitos desnecessários. Ele fica pronto para abrir-se às ilimitadas possibilidades do vazio. Mas há um preço a pagar: diante desse vazio desconhecido surge, naturalmente, o medo. Até mesmo um ator de larga experiência, sempre vai retomar seu trabalho, quando se vê na borda do tapete sente esse medo de voltar - medo do vazio dentro de si mesmo e do vazio dentro do espaço. (...) Sentar-se imóvel ou ficar quieto já requer muita coragem. A maioria das manifestações exageradas ou desnecessárias provêm do pavor de não estarmos realmente presentes se não avisarmos o tempo todo, de qualquer jeito, que de fato existimos. (...) É importante que todos os atores reconheçam e identifiquem tais obstáculos, que neste caso são naturais e legítimos. (...) Quando atua bem, não é porque elaborou previamente uma composição mental, mas porque criou um vazio livre de pânico dentro de si.'
Peter Brook - A Porta Aberta
Vamos ficar atentos as transformações que estão ocorrendo no pensamento do governo sobre cultura. Apesar dos problemas e equivocos do governo Lula, nunca se pensou tanto em cultura como nessa administração. Posturas foram revistas, pensamentos refeitos. Um exemplo claro dessa nova fase é esse caderno de diretrises que servirá de suporte para a construção de um Plano Nacional de Cultura, o que os estudiosos chamam de PAC da cultura, fazendo referência ao Projeto de Aceleração do Crescimento, lançado pelo governo. A partir desses pensamentos, que foram construidos coletivamente a partir dos Fóruns de Cultura, dos encontros, dos seminários, a gente se pergunta o que foi feito do nosso Caderno de Diretrises, escrito no Encontro da Diversidade, o que nosso governo fez? Vá saber...
Entenda a Plano:
Proporcionar a capacitação e a profissionalização dos trabalhadores culturais como política estratégica para as linguagens e experiências e a experiência estética é uma dos diagnósticos e desafios apresentados sobre “linguagens artísticas”. As diretrizes estão distribuídas ainda em “manifestações culturais”, “identidades e redes socioculturais”, “políticas gerais” e “políticas intersetoriais”.
O fomento à gestão pública e participativa é necessário para ampliar as capacidades de planejamento da gestão política de cultura no Brasil. “A cultura ainda carece de um marco regulatório que oriente a divisão das responsabilidades de execução das políticas públicas do setor atribuídas às instituições públicas federais, estaduais e municipais”, diz no caderno.
O desafio é imensurável. Mas, conforme alguns números divulgados pelo IBGE, mais de 75% dos municípios não possuem centros culturais multiuso, e os índices de carência de museus, teatros e salas de cinema no país superam essa proporção. Somente 5,1% das cidades contam com fundos próprios de cultura e apenas 5,6% dispõem de legislação específica de incentivo. Contudo, quase 58% dos municípios executam políticas culturais, com as quais as prefeituras gastam, em média, cerca de 1% de suas receitas.
A limitação de orçamentos públicos destinados ao setor e a necessidade de superação completa do ciclo de investimentos baseados em um sistema de renúncia fiscal guiado pelas decisões exclusivas dos agentes privados também entram na pauta.
O Plano Nacional de Cultura deve transformar esse regime, substituindo-o por “uma parceria em que as três esferas de governo contribuam para o direcionamento eqüitativo do apoio financeiro”. A finalidade dessa estratégia deve ser a cobertura ampla das especificidades dos perfis demográficos e geográficos e a sustentabilidade e efetividade de suas práticas culturais.
(Fonte: Cultura e Mercado)
Trechos do Caderno de Diretrizes:
"A cultura é constitutiva da ação humana: seu fundamento simbólico está sempre presente em qualquer prática social. Entretanto, no decorrer da história, processos colonialistas, imperialistas e expansionistas geraram concentrações de poder econômico e político produzindo variadas dinâmicas de subordinação e exclusão cultural. Na atualidade, como reação a esse processo de homogeneização cultural induzida em âmbito local e mundial, surgem iniciativas voltadas para a proteção, valorização e afirmação da diversidade cultural da humanidade. Tal perspectiva pressupõe maior responsabilidade do Estado na valorização do patrimônio material e imaterial de cada nação. Por essa ótica, a fruição e a produção de diferentes linguagens artísticas consolidadas e de múltiplas identidades e expressões culturais, que nunca foram objeto de ação pública no Brasil, afirmam-se como direitos de cidadania.
Nesse contexto, reconhece-se hoje a existência de uma economia da cultura que, melhor
regulada e incentivada, pode ser vista como um vetor de desenvolvimento essencial para a
inclusão social através da geração de ocupação e renda."
"O Plano Nacional de Cultura engloba as linguagens artísticas consolidadas e as múltiplas identidades e expressões culturais até então desconsideradas pela ação pública. Mas, para que a gestão pública ultrapasse o alcance tradicional e restritivo das belas-artes e dos produtos da indústria cultural, o projeto trabalha com alguns valores e conceitos na elaboração das políticas.
Entre eles, está o entendimento de que “a cultura é constitutiva da ação humana”, ou seja, o fundamento cultural está sempre presente, em qualquer prática social; o dinamismo das expressões, na dialética entre a tradição e a inovação; as relações ambientais indissociáveis; o reconhecimento do Estado como fomentador não omisso e regulador não autoritário em um projeto de desenvolvimento de um país; a responsabilidade do MinC e a co-responsabilidade das diferentes instâncias do poder público e da sociedade civil."
Leia o Caderno:
Por que falar de crítica a jornalistas culturais? Porque a eles cabe decidir sobre dois procedimentos: o do julgamento do valor qualitativo de um produto ou bem cultural ou o do julgamento do valor de mercado. Sempre é bom lembrar que vivemos em tempos pós-modernos, onde se constata o abandono dos programas ordenadores, legitimadores, atribuidores de valores estéticos e culturais. Expandem-se os sistemas técnicos incontroláveis, o império dos efeitos visuais sobre a narrativa. Com isso, troca-se o sujeito emancipador (dotado de razão, de senso estético e transformador) pelo sujeito falsamente emancipado pelas novas tecnologias.
Não queremos considerar aqui como jornalismo culturalas notinhas de shows, as agendas sobre os espetáculos diáriosoferecidos à população em nossas cidades, osreleases de filmes, de peças de teatro ou de exposições,que tomam conta dos nossos chamados Cadernos B. O jornalismo cultural, no meu entender, coloca em debate idéias, sem deixarde lado a crítica aos espetáculos ou aos produtos dearte, que são uma forma de refletir sobre o mundo em que vivemos.
Um ponto de partida para o exercício crítico,ou do criticismo, nos leva à seguinte questão: é a crítica uma forma de explicação ou um pretexto para uma interpretação? No primeiro caso, busca-setornar explícito ou explicitar em detalhes uma determinada obra cultural. Como a origem latina de “explicar” sugere, é expor, revelar. Ou seja, mostrar para o leitor o que ele não vê num primeiro olhar. Pode ser a análise de um romance,de um filme, um CD de rock ou um show musical. Um livro não fala de si mesmo. Um CD se revela pelo conjunto das músicas escolhidas pelo autor. Então, o que cabe ao jornalista cultural é a tarefa de debruçar especialmente sobre o que a obra não diz. Seus silêncios, seu interdiscurso, ou seja, a que outros textos, músicas, filmes, a obra remete?
Este ano começa com um novo pensamento: a organização. Por diversas vezes esbarramos em dificuldades, em mediocridades, em mesquinharias, em estrelismos. No cenário teatral cuiabano e mato-grossense o que sempre se via eram companhias isoladas, trabalhando a sua arte de maneira sacrificada pela falta de apoio, incentivo e, o que é pior, falta de companheirismo de outras companhias. Elas não se comunicavam, não trocavam, não debatiam, não se conheciam.
Esse cenário começa a mudar. O final de 2007 foi marcado pela mudança de posturas, pela consciência da necessidade da articulação, da organização, do fazer junto. Teatreiros de toda a cidade, sejam eles com vários anos de caminhada, sejam aqueles que estão começando agora, sejam aqueles que usam de sua arte a fonte de renda de seu sustento, sejam aqueles que usam a arte para aprender, distrair e se formar, todos unidos para formalização de um alicerce sustentável e profissional de teatro do estado.
Esse novo ano experimentará uma nova forma de fazer teatro. Um fazer compartilhado, unido, coeso e principalmente forte. Pois a máxima já batida é válida e existe mesmo: a união faz a força. O curto-circuito já começa a ser um fato concreto. O Curto-Circuito é um projeto que foi construído coletivamente, cada companhia, cada produtor independente, cada célula do movimento contribuindo e pensando. E esse projeto não será o único, virão seminários, intercâmbios, oficinas, debates, bares, comunhão.
E como atingir as outras cidades, como se relacionar com a distância? E é para sanar um pouco essa dificuldade que a Internet entra no jogo.O www.movimentodeteatro.ning.com deverá ser um ponto de encontro, um caminho, uma forma de conseguirmos interagir, por isso cada pessoa que hoje está no movimento deverá ser um propagador. Divulgue o Movimento, conte, espalhe... Queremos ver esse espaço cheio de discussões calorosas, de trocas, de notícias de cada companhia, divulgue o seu trabalho, poste fotos, vídeos, faça o grupo da sua companhia... enfim vamos tomar conta do espaço.
Desejo então, e tenho certeza da sua realização, que 2008 seja o ano do teatro em Mato Grosso. Felicidades a todos. E vamos trabalhar.